sei das verdades escondidas
que contam os dias no tempo
e os miseráveis fracassos
de cada um de vós
o nascimento deu-se
no nascimento de muita gente
mas o nascimento de que falo
devia ter sido muito atrás
ou muito à frente
hoje não me entendo
com tamanha leviandade
só não sou deste tempo,
que não apela à verdade
aquele foi o nosso último olhar,
aquele foi o nosso último tocar
19 Janeiro 2009
Hugo Sousa
"poema...não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são bibliotecas a arder de versos contados e não é poema..."
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segunda-feira, janeiro 19, 2009
Outros Anos
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POESIA POR MORRER
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Cães Da Fome No Choro
sentinela noite que nos prevê
a chorar desgostos sobre a cama
com a pele nua, coberta de frio
um casal de cães vadios anuncia
a chegada de um cheiro desconhecido
seguem-lhe o rasto com dentes ansiosos
por carne com aroma nauseabundo
só ladram, não mordem mas
sinto-lhes a vontade no meu choro
a ganância dos dentes vaidosos
do estômago ausente pela carne
que não encontram nos escombros
da escura noite
21 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
a chorar desgostos sobre a cama
com a pele nua, coberta de frio
um casal de cães vadios anuncia
a chegada de um cheiro desconhecido
seguem-lhe o rasto com dentes ansiosos
por carne com aroma nauseabundo
só ladram, não mordem mas
sinto-lhes a vontade no meu choro
a ganância dos dentes vaidosos
do estômago ausente pela carne
que não encontram nos escombros
da escura noite
21 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
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terça-feira, dezembro 18, 2007
Pela Forma Do Que És
pela forma do que és
desdenho o que não sou,
imortalizo a insegurança e
desta maneira me dou.
se quiseres abraçar-me
envolve-me no teu leito
devolve o sentimentalismo
de que sou feito.
não magoes a paz
que desejo pela manhã,
mergulhado no teu beijo
me imagino ao acordar.
arranco-me da cama com
um ar de cansado, agastado,
a imagem no espelho mergulhado
no teu último olhar.
18 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
desdenho o que não sou,
imortalizo a insegurança e
desta maneira me dou.
se quiseres abraçar-me
envolve-me no teu leito
devolve o sentimentalismo
de que sou feito.
não magoes a paz
que desejo pela manhã,
mergulhado no teu beijo
me imagino ao acordar.
arranco-me da cama com
um ar de cansado, agastado,
a imagem no espelho mergulhado
no teu último olhar.
18 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
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segunda-feira, dezembro 10, 2007
Ontem
estar desprotegida, é bom? vivo assim ultimamente, é como me deixas ao chegar a noite. sem sítio onde morrer em paz. este sabor. as ondas rebentam com força, passeios na praia, dos outros. nós não. nós não passeamos. dói-nos os pés do pensamento, o teu coração mal bate: desfalece o amor. nós não sabemos passear, só de quando em vez, nos dias que mal acontecem. às vezes acontecem. sentados na areia, espaçados pela incompreensão. talvez não me ames. mata-me pensar nisso e tu não me dás sítio onde morrer em paz.
09 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
09 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
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quarta-feira, novembro 21, 2007
Vozes
são vozes que temo
porque percebo
que não vêm com amor.
são as vozes da emoção
que me falam ao coração
tudo o que tenho para contar.
são palavras deformadas
dormem amontoadas
nas páginas escritas de cabeça.
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
porque percebo
que não vêm com amor.
são as vozes da emoção
que me falam ao coração
tudo o que tenho para contar.
são palavras deformadas
dormem amontoadas
nas páginas escritas de cabeça.
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
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Não Sei, O Medo
não sei nada sobre a chuva
tocada pela vento no Inverno
que faz do mundo um inferno
e para estas feridas não tem cura
não sei nada sobre a presença
entre as horas de mais um dia
o explendor da agonia
só conheço a tua ausência
vivo num calafrio
nos olhos um vazio
com medo da despedida
na pele os teus vestígios
cheiro daqueles beijos
uma bandeira erguida
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
tocada pela vento no Inverno
que faz do mundo um inferno
e para estas feridas não tem cura
não sei nada sobre a presença
entre as horas de mais um dia
o explendor da agonia
só conheço a tua ausência
vivo num calafrio
nos olhos um vazio
com medo da despedida
na pele os teus vestígios
cheiro daqueles beijos
uma bandeira erguida
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
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segunda-feira, novembro 19, 2007
Concerto às Escuras
nada. olhos fechados na multidão.
nada. a voz que cantava uma canção.
nada. a multidão não existia.
nada. de olhos fechados só eu vivia.
nada. a música era barulhenta.
nada. NoFX é uma banda rabugenta.
nada. tocaram só para mim.
nada. estavas tu, comigo, assim.
nada. a multidão não existia.
nada. olhos fechados:
nada. pensava em ti.
nada. olhos fechados:
nada. até um dia.
tudo.
19 de Novembro 2007
Hugo Sousa
nada. a voz que cantava uma canção.
nada. a multidão não existia.
nada. de olhos fechados só eu vivia.
nada. a música era barulhenta.
nada. NoFX é uma banda rabugenta.
nada. tocaram só para mim.
nada. estavas tu, comigo, assim.
nada. a multidão não existia.
nada. olhos fechados:
nada. pensava em ti.
nada. olhos fechados:
nada. até um dia.
tudo.
19 de Novembro 2007
Hugo Sousa
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terça-feira, novembro 06, 2007
Com "Sem"
sem passar passam
os respiros em rescisão,
sem chorar choram
as vontades de revolução.
sem cantar cantam
palavras de dignidade,
sem gritar gritam
o amor para a eternidade.
sem pedir pedem
um "toda a vida" presente,
sem morrer morrem
as letras do para sempre.
sem viver vivem
as inseguranças de ti,
sem apagar apagam
o teu amor para mim.
05 Novembo 2007
Hugo Sousa
os respiros em rescisão,
sem chorar choram
as vontades de revolução.
sem cantar cantam
palavras de dignidade,
sem gritar gritam
o amor para a eternidade.
sem pedir pedem
um "toda a vida" presente,
sem morrer morrem
as letras do para sempre.
sem viver vivem
as inseguranças de ti,
sem apagar apagam
o teu amor para mim.
05 Novembo 2007
Hugo Sousa
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sábado, outubro 13, 2007
Porquê Paris?
faz-me lembrar Paris
os esboços do sol
ainda em Outubro.
não sei porquê Paris
se é assim em todo o mundo.
alguma terra há-de ser
não fosse o ser uma recordação,
sítios onde nunca estive
mas que tenho no coração.
o barulho rancoroso do baloiço,
ferro contra ferro raspa,
qualquer tipo de barulho mudo.
não sei porquê Paris
se é assim em todo o mundo.
alguma terra há-de ser
não fosse Paris muitas terras,
sítios onde nunca estive
e o mundo não é só isto.
afinal já estive,
o mundo é o que quero.
chega-me recordar e imaginar,
não sei porquê Paris
mas foi dele que me fiz lembrar.
Hugo Sousa
os esboços do sol
ainda em Outubro.
não sei porquê Paris
se é assim em todo o mundo.
alguma terra há-de ser
não fosse o ser uma recordação,
sítios onde nunca estive
mas que tenho no coração.
o barulho rancoroso do baloiço,
ferro contra ferro raspa,
qualquer tipo de barulho mudo.
não sei porquê Paris
se é assim em todo o mundo.
alguma terra há-de ser
não fosse Paris muitas terras,
sítios onde nunca estive
e o mundo não é só isto.
afinal já estive,
o mundo é o que quero.
chega-me recordar e imaginar,
não sei porquê Paris
mas foi dele que me fiz lembrar.
Hugo Sousa
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terça-feira, junho 26, 2007
Que Confusão, Coisas Sem Nexo
sem nada para escrever
vagueio por pensamentos que não sei dizer.
sofro sem sentir - dizem -,
invento a dor sem pensar
soltando palavras que
o tempo não irá compreender.
não sei escrever - que loucura -,
letras sem sentido nem origens
secam folhas desperdiçadas
sem honra nem coragem para serem lidas.
vivem todo o tempo estampadas
nas linhas da vida, nas linhas
decifradas num pedaço de árvore
- uma folha de papel -.
reviro os olhos da mente,
devoro na boca do coração
viagens entre estrelas e céus corporais
- rebelde ser, humano desigual -.
corpos expostos ao sol
sem certeza de o quererem,
delicadeza na tinta que solta a minha mão.
se reparas no que escrevo
nada entenderás - um espaço vazio -
sem nexo, ao rubro, prepositado,
para que na cabeça viva ainda
muros para bater sem lhes ter tocado.
Hugo Sousa
vagueio por pensamentos que não sei dizer.
sofro sem sentir - dizem -,
invento a dor sem pensar
soltando palavras que
o tempo não irá compreender.
não sei escrever - que loucura -,
letras sem sentido nem origens
secam folhas desperdiçadas
sem honra nem coragem para serem lidas.
vivem todo o tempo estampadas
nas linhas da vida, nas linhas
decifradas num pedaço de árvore
- uma folha de papel -.
reviro os olhos da mente,
devoro na boca do coração
viagens entre estrelas e céus corporais
- rebelde ser, humano desigual -.
corpos expostos ao sol
sem certeza de o quererem,
delicadeza na tinta que solta a minha mão.
se reparas no que escrevo
nada entenderás - um espaço vazio -
sem nexo, ao rubro, prepositado,
para que na cabeça viva ainda
muros para bater sem lhes ter tocado.
Hugo Sousa
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quarta-feira, abril 25, 2007
Por Vezes Sim
por vezes sim,
nem tantas vezes não
escolhas em palavras.
falta de criatividade sobre o pensamento
assemelha-se a um desinteresse perante a vida
onde não chove nem faz sol.
até onde vamos chegar
batalhão de guerra manipulada?
querem-nos fazer de coisas que
não são nada o nosso desejo.
até onde vamos chegar?
quando os dias se tornam mais longos
é a esperança de uma luz eterna
que chega com o verão.
mas a noite vem todos os dias,
noite dos vivos destroçados.
interrogado que me interroga,
até onde vamos chegar?
22 Abril 2007
Hugo Sousa
nem tantas vezes não
escolhas em palavras.
falta de criatividade sobre o pensamento
assemelha-se a um desinteresse perante a vida
onde não chove nem faz sol.
até onde vamos chegar
batalhão de guerra manipulada?
querem-nos fazer de coisas que
não são nada o nosso desejo.
até onde vamos chegar?
quando os dias se tornam mais longos
é a esperança de uma luz eterna
que chega com o verão.
mas a noite vem todos os dias,
noite dos vivos destroçados.
interrogado que me interroga,
até onde vamos chegar?
22 Abril 2007
Hugo Sousa
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Desconhecido
ela sentou-se de costas para mim
despiu o casaco e dobrou-o na cadeira,
o casaco está de frente para mim
e ela sentada à sua beira.
debruça-se para a frente e olha a refeição
com os pés dobrados e pontas no chão,
cotovelos esbarrados na mesa
faca e garfo nas mãos.
o casaco agora ao colo parece-se comigo,
a cobrir-te as pernas - um belo amparo -
um bocado de pano que te aquece
um bocado de mim, nesse casaco, contigo.
moves-te para trás e encostas-te na cadeira
virada como o desprezo para mim,
eu aqui atrás à tua beira
como tu e o casaco há pouco na cadeira,
nem imaginas que escrevo para ti.
Hugo Sousa
despiu o casaco e dobrou-o na cadeira,
o casaco está de frente para mim
e ela sentada à sua beira.
debruça-se para a frente e olha a refeição
com os pés dobrados e pontas no chão,
cotovelos esbarrados na mesa
faca e garfo nas mãos.
o casaco agora ao colo parece-se comigo,
a cobrir-te as pernas - um belo amparo -
um bocado de pano que te aquece
um bocado de mim, nesse casaco, contigo.
moves-te para trás e encostas-te na cadeira
virada como o desprezo para mim,
eu aqui atrás à tua beira
como tu e o casaco há pouco na cadeira,
nem imaginas que escrevo para ti.
Hugo Sousa
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Não Conheço Mais Caminhos
não conheço mais caminhos,
para nós só existem atalhos
por descobrir se existir vontade.
os bocados de madeira escasseiam
e o lume teme uma gota de água,
suficiente para o matar.
o que é a verdade?
são campos vazios seguros pelo tempo
ou são as cidades a transbordar
de batom e roupas elegantes?
eu sou aquilo que não és,
vivo de tudo o que tu não vives
e sinto, sinto do verbo sentir
aquele verbo que não sabes conjugar.
apaixono-me vezes sem fim,
desgosto vezes sem fim
a multiplicar por dois e
todas as vezes que já me apaixonei
e num instante desgostei.
os sentimentos como eu:
não sabem quem são.
22 Abril 2007
Hugo Sousa
para nós só existem atalhos
por descobrir se existir vontade.
os bocados de madeira escasseiam
e o lume teme uma gota de água,
suficiente para o matar.
o que é a verdade?
são campos vazios seguros pelo tempo
ou são as cidades a transbordar
de batom e roupas elegantes?
eu sou aquilo que não és,
vivo de tudo o que tu não vives
e sinto, sinto do verbo sentir
aquele verbo que não sabes conjugar.
apaixono-me vezes sem fim,
desgosto vezes sem fim
a multiplicar por dois e
todas as vezes que já me apaixonei
e num instante desgostei.
os sentimentos como eu:
não sabem quem são.
22 Abril 2007
Hugo Sousa
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terça-feira, abril 03, 2007
Vou Continuar
vou continuar, da mesma forma que sou,
- simples e discreto - a gostar de ti
vou continuar a querer o teu pescoço
para poder beijar a pele descoberta
ou beijar-te com um olhar envergonhado
vou continuar os dias por longos e
largos caminhos a respirar o teu ar,
fechar os olhos depois de te cruzar
vou continuar a mexer nas nuvens até
parecer existente um desenho meu e teu
afixado num lugar clandestino no céu
vou continuar a tocar-me pensando
na lingua a percorrer-te e a tocar-te:
desejo para além do pensamento
vou continuar a levar comigo
o sabor do teu cheiro morto nos lábios,
epicentro deste terramoto
devastador é quando o telefone não toca
e nada chama pelo nosso nome,
pela nossa incongruente presença
vou continuar continuamente...a continuar,
só assim consigo suster a bala
mortalmente pronta a atingir o objectivo
vou continuar a regar as flores
que plantei em teu redor, nos sonhos
mais singelos e inocentes
vou continuar a deixar consumir-me pelo
rato roedor que vive dentro de mim,
atiçando os nervos consequentes da tua indiferença
vou continuar até que nada me seja imposto,
enquanto a morte me permite ser eu
e deixe que continue a sentir-te
o telefone não toca e
nada chama pelo meu nome,
pela minha incongruente presença
3 Abril 2007
Hugo Sousa
- simples e discreto - a gostar de ti
vou continuar a querer o teu pescoço
para poder beijar a pele descoberta
ou beijar-te com um olhar envergonhado
vou continuar os dias por longos e
largos caminhos a respirar o teu ar,
fechar os olhos depois de te cruzar
vou continuar a mexer nas nuvens até
parecer existente um desenho meu e teu
afixado num lugar clandestino no céu
vou continuar a tocar-me pensando
na lingua a percorrer-te e a tocar-te:
desejo para além do pensamento
vou continuar a levar comigo
o sabor do teu cheiro morto nos lábios,
epicentro deste terramoto
devastador é quando o telefone não toca
e nada chama pelo nosso nome,
pela nossa incongruente presença
vou continuar continuamente...a continuar,
só assim consigo suster a bala
mortalmente pronta a atingir o objectivo
vou continuar a regar as flores
que plantei em teu redor, nos sonhos
mais singelos e inocentes
vou continuar a deixar consumir-me pelo
rato roedor que vive dentro de mim,
atiçando os nervos consequentes da tua indiferença
vou continuar até que nada me seja imposto,
enquanto a morte me permite ser eu
e deixe que continue a sentir-te
o telefone não toca e
nada chama pelo meu nome,
pela minha incongruente presença
3 Abril 2007
Hugo Sousa
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POESIA MORTA
domingo, abril 01, 2007
Mais Tarde
são as ideias que esfoliam a alma,
queimam o continuo pensamento
e fazem-me gostar de ti
estou cansado,
doridamente agastado.
não me faças idealizar
o mundo perfeito para nós
mais tarde, agora não.
1 Abril 2007
Hugo Sousa
queimam o continuo pensamento
e fazem-me gostar de ti
estou cansado,
doridamente agastado.
não me faças idealizar
o mundo perfeito para nós
mais tarde, agora não.
1 Abril 2007
Hugo Sousa
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As Parede Que Não Têm Ouvidos Mas Falam
a vontade é de explodir, verter
raiva e angústia que vem de dentro
e deixar ser com firmeza.
ser com intuição e verdade,
libertar a veracidade de uma existência
progredir no sentido oposto
das muitas mentiras,
ser com todas as forças.
encosto na parede, naquela pedra
para ouvir o que vem de dentro.
não, essa não emite sons,
olha em redor - exprimenta aquela
e sim, encosta o ouvido na pedra
da mesma parede mas noutra pedra,
encosta suavemente, encosta...
que escutas?
diz-me o que ouves com pressa, rápido;
é o tilintar de um copo vazio contra
outro copo vazio ou o murmúrio,
o murmúrio do silêncio?
medo, muito medo além do mural
p'ra lá da branca e gasta pedra
que esconde a fatal surpresa,
a indecisão semicerrada
no invisível desconhecido.
o medo, grande medo no ouvido
que nada consegue escutar
mas vive a aflição de um sussurro,
do som confuso que deite por terra
toda a curiosidade, o demais desejo
descido até à calçada com uma faca
incisivamente espetada no peito.
que som recebes?
toca com as mãos como num corpo,
encosta os lábios - quantas vezes
as coisas não se tornam audíveis
num toque de lábios - mergulha os olhos
no branco incandescente...por favor
não desistas, firma o corpo contra o corpo
mas não renuncies esta esperança.
que consegues ouvir?
- nada, não consigo ouvir nada.
vamos repetir vezes sem conta
até que consigas atender o pedido
vindo do outro lado da parede.
1 Abril 2007
Hugo Sousa
raiva e angústia que vem de dentro
e deixar ser com firmeza.
ser com intuição e verdade,
libertar a veracidade de uma existência
progredir no sentido oposto
das muitas mentiras,
ser com todas as forças.
encosto na parede, naquela pedra
para ouvir o que vem de dentro.
não, essa não emite sons,
olha em redor - exprimenta aquela
e sim, encosta o ouvido na pedra
da mesma parede mas noutra pedra,
encosta suavemente, encosta...
que escutas?
diz-me o que ouves com pressa, rápido;
é o tilintar de um copo vazio contra
outro copo vazio ou o murmúrio,
o murmúrio do silêncio?
medo, muito medo além do mural
p'ra lá da branca e gasta pedra
que esconde a fatal surpresa,
a indecisão semicerrada
no invisível desconhecido.
o medo, grande medo no ouvido
que nada consegue escutar
mas vive a aflição de um sussurro,
do som confuso que deite por terra
toda a curiosidade, o demais desejo
descido até à calçada com uma faca
incisivamente espetada no peito.
que som recebes?
toca com as mãos como num corpo,
encosta os lábios - quantas vezes
as coisas não se tornam audíveis
num toque de lábios - mergulha os olhos
no branco incandescente...por favor
não desistas, firma o corpo contra o corpo
mas não renuncies esta esperança.
que consegues ouvir?
- nada, não consigo ouvir nada.
vamos repetir vezes sem conta
até que consigas atender o pedido
vindo do outro lado da parede.
1 Abril 2007
Hugo Sousa
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Quantas Vezes
por vezes - e que muitas vezes são -
não caminhamos sozinhos
nos passeios nocturnos
somos acompanhados
pelo silêncio e o medo de que
tudo se torne uniforme,
uma repetição noite e dia.
são olhares que tentam não olhar,
bocas em movimento que tentam não falar
para mim.
são corpos presentes num caminho
entre a idade e o tempo,
entre as ruas que já foram,
as que são e as nunca pisadas por corpos;
calcadas em pensamentos e destinos
criados pelo sonho anti-realidade.
30 Março 2007
Hugo Sousa
não caminhamos sozinhos
nos passeios nocturnos
somos acompanhados
pelo silêncio e o medo de que
tudo se torne uniforme,
uma repetição noite e dia.
são olhares que tentam não olhar,
bocas em movimento que tentam não falar
para mim.
são corpos presentes num caminho
entre a idade e o tempo,
entre as ruas que já foram,
as que são e as nunca pisadas por corpos;
calcadas em pensamentos e destinos
criados pelo sonho anti-realidade.
30 Março 2007
Hugo Sousa
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sexta-feira, março 30, 2007
Uma Noite Sozinho
estendo-me nas areias dos corpos em decomposição
pelas fotografias a preto e branco que
não transpiram palavras e só recordações
o lume a desejar pedaços para queimar
os ossos transformam-se numa areia mais fina
e sobrevoam duas sufocações na garganta
com o respirar pernoitado dentro da ânsia
definha-se o silêncio nocturno do sono e
ergo-me de um chão vazio já sem os grânulos
de vidas que secavam ao sol no dia.
cresceu um deserto no caminho agora ao calhas escolhido
esta noite torna os passos sem fim
não consegue dissipar a sede de calar
e amenizar o grito solto metro a metro
...o lume não cessou e arde instantaneamente
dentro dos olhos com a prontidão de
me tornar numa planície dentro de uma cidade
em chamas na próxima noite
está a fragmentar-se uma madrugada
de vida que sussurra e reclama
mil sucatas com corações de ferro
30 Março 2007
Hugo Sousa
pelas fotografias a preto e branco que
não transpiram palavras e só recordações
o lume a desejar pedaços para queimar
os ossos transformam-se numa areia mais fina
e sobrevoam duas sufocações na garganta
com o respirar pernoitado dentro da ânsia
definha-se o silêncio nocturno do sono e
ergo-me de um chão vazio já sem os grânulos
de vidas que secavam ao sol no dia.
cresceu um deserto no caminho agora ao calhas escolhido
esta noite torna os passos sem fim
não consegue dissipar a sede de calar
e amenizar o grito solto metro a metro
...o lume não cessou e arde instantaneamente
dentro dos olhos com a prontidão de
me tornar numa planície dentro de uma cidade
em chamas na próxima noite
está a fragmentar-se uma madrugada
de vida que sussurra e reclama
mil sucatas com corações de ferro
30 Março 2007
Hugo Sousa
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POESIA POR MORRER
Rebentar De Um Anjo Mal Explicado
no horizonte a linha, numa linha
reprocho o mar com o céu visionário
- a cor é quase incessantemente igual,
idêntico e prisioneiro deve ser o sabor -.
semeia o voo entre as ondas nodais
entre o dilacerar de um nimbo ameaçador,
vê como asas enlodadas rompem a superfície,
tocam o ar e fitam os olhares
desafiadores das gaivotas conterrâneas.
seguidamente, solta-se, vindo numa bolha de água
a cabeça promíscua de anjo com pingas de sangue
como que de um nascimento se trata-se.
outra onda a chegar e a crescer,
no corpo, o nó a apertar toda uma mulher-anjo
que num sufoco requintado, abana as asas enrugadas
e reclama a liberdade inexistente até então.
entrelaçada, puxam-lhe o restante corpo
ainda mergulhado no súbito mar pensado.
sobe e sobe e crescem-lhe os pés
e continua a subir e começa a voar
e fazes-me inveja e tudo o que resta.
não ligues
é só um "ai quem me dera"
que consome o desejo vertido
do recipiente onde guardo os sonhos.
Hugo Sousa
30 Março 2007
reprocho o mar com o céu visionário
- a cor é quase incessantemente igual,
idêntico e prisioneiro deve ser o sabor -.
semeia o voo entre as ondas nodais
entre o dilacerar de um nimbo ameaçador,
vê como asas enlodadas rompem a superfície,
tocam o ar e fitam os olhares
desafiadores das gaivotas conterrâneas.
seguidamente, solta-se, vindo numa bolha de água
a cabeça promíscua de anjo com pingas de sangue
como que de um nascimento se trata-se.
outra onda a chegar e a crescer,
no corpo, o nó a apertar toda uma mulher-anjo
que num sufoco requintado, abana as asas enrugadas
e reclama a liberdade inexistente até então.
entrelaçada, puxam-lhe o restante corpo
ainda mergulhado no súbito mar pensado.
sobe e sobe e crescem-lhe os pés
e continua a subir e começa a voar
e fazes-me inveja e tudo o que resta.
não ligues
é só um "ai quem me dera"
que consome o desejo vertido
do recipiente onde guardo os sonhos.
Hugo Sousa
30 Março 2007
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Ideia De Adjectivar
amontoados
os adjectivos
pareço-me
um bocado de tudo
e que
os adjectivos
não seriam nada sem mim.
cremados
os adjectivos
sinto-me
um pássaro livre.
e agora,
o que me vão chamar?
até vos faltam
as palavras.
Hugo Sousa
30 Março 2007
os adjectivos
pareço-me
um bocado de tudo
e que
os adjectivos
não seriam nada sem mim.
cremados
os adjectivos
sinto-me
um pássaro livre.
e agora,
o que me vão chamar?
até vos faltam
as palavras.
Hugo Sousa
30 Março 2007
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