sei das verdades escondidas
que contam os dias no tempo
e os miseráveis fracassos
de cada um de vós
o nascimento deu-se
no nascimento de muita gente
mas o nascimento de que falo
devia ter sido muito atrás
ou muito à frente
hoje não me entendo
com tamanha leviandade
só não sou deste tempo,
que não apela à verdade
aquele foi o nosso último olhar,
aquele foi o nosso último tocar
19 Janeiro 2009
Hugo Sousa
"poema...não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são bibliotecas a arder de versos contados e não é poema..."
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segunda-feira, janeiro 19, 2009
Outros Anos
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POESIA INDECISA,
POESIA POR MORRER
terça-feira, maio 27, 2008
Os Sítios Por Onde Passámos
Os sítios por onde passámos continuarão a ser, tão somente, os sítios
[por onde passámos.
Enquanto um de nós for vivo, os nomes não importam, os monumentos não importam, os jardins não importam. Existiam mesmo sem nós, no entanto, não teriam a beleza harmoniosa com que os vimos, com que os pisámos, com que os vivemos. Os sítios
[por onde passámos,
existem assim como os conhecemos por nos conhecermos, porque juntos e
[juntos estivémos,
porque vivos estamos. Porque estamos. Onde estamos? Onde quer que estejemos, estamos nos sítios onde estivémos. Enquanto um de nós não morrer, os sítios
[por onde passámos
continuarão a ser apenas os sítios por onde passámos: sem nome, sem Lisboa:
[sem sítio algum.
27 de Maio 2008
Hugo Sousa
[por onde passámos.
Enquanto um de nós for vivo, os nomes não importam, os monumentos não importam, os jardins não importam. Existiam mesmo sem nós, no entanto, não teriam a beleza harmoniosa com que os vimos, com que os pisámos, com que os vivemos. Os sítios
[por onde passámos,
existem assim como os conhecemos por nos conhecermos, porque juntos e
[juntos estivémos,
porque vivos estamos. Porque estamos. Onde estamos? Onde quer que estejemos, estamos nos sítios onde estivémos. Enquanto um de nós não morrer, os sítios
[por onde passámos
continuarão a ser apenas os sítios por onde passámos: sem nome, sem Lisboa:
[sem sítio algum.
27 de Maio 2008
Hugo Sousa
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POESIA POR MORRER,
PROSA POÉTICA
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Mal Do Bicho Que Não Sai
mal do bicho que não sai
do esconderijo calcado
pelos pés de quem vai
através do mundo desolado
as paredes daqueles encostos
com a cabeça descaída
os braços ligeiramente mortos
enquanto se pensa na vida
mal do bicho que não sai
do esconderijo coberto
pelo andar de quem pisa
terras quentes deste deserto
estão palavras magoadas
nas conversas que nos consomem
as ofensas abusadas
da mulher para o homem
mal do bicho que não sai
da toca funda escurecida
pela noite que nos chega
com tuas ofensas adormecia
21 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
do esconderijo calcado
pelos pés de quem vai
através do mundo desolado
as paredes daqueles encostos
com a cabeça descaída
os braços ligeiramente mortos
enquanto se pensa na vida
mal do bicho que não sai
do esconderijo coberto
pelo andar de quem pisa
terras quentes deste deserto
estão palavras magoadas
nas conversas que nos consomem
as ofensas abusadas
da mulher para o homem
mal do bicho que não sai
da toca funda escurecida
pela noite que nos chega
com tuas ofensas adormecia
21 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
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POESIA POR MORRER
quarta-feira, dezembro 19, 2007
Sonhos Altos
desprenderam-se as mãos
das correntes presas no tecto
a queda em seco no chão
partiu ossos e rasgou a pele
eleva-se o sonho
mais dura é a queda
mais...mais...mais...
muito mais dura é a vida
partem-se ossos
rasga-se a pele e
um estilhaço rebenta o coração
os pássaros mudam de fontela,
cor de chumbo sobre a janela e
a inocência perdida,
no sonho alto demais,
é esquecida.
a vida é mais dura
com os sonhos de loucura
tão altos arranha-céus,
são estes sonhos meus
onde deixo a minha assinatura:
Morte.
19 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
das correntes presas no tecto
a queda em seco no chão
partiu ossos e rasgou a pele
eleva-se o sonho
mais dura é a queda
mais...mais...mais...
muito mais dura é a vida
partem-se ossos
rasga-se a pele e
um estilhaço rebenta o coração
os pássaros mudam de fontela,
cor de chumbo sobre a janela e
a inocência perdida,
no sonho alto demais,
é esquecida.
a vida é mais dura
com os sonhos de loucura
tão altos arranha-céus,
são estes sonhos meus
onde deixo a minha assinatura:
Morte.
19 de Dezembro 2007
Hugo Sousa
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POESIA,
POESIA POR MORRER
quarta-feira, novembro 21, 2007
Quadro Da Vida
se criar o quadro da vida
uso cores berrantes
com a força de um touro.
planto árvores de lilás
construo arranha-céus de amor.
no quadro da vida
as estradas são cinzentas,
o ambiente pesado do céu
nestes dias.
não há pessoas,
não há ninguém.
os carros são pássaros
águias ferozes com
bicos de agulha achatados.
roupas caídas no chão
pingos de chuva vermelha
um cão orfão.
gelo a morder relva
orvalho insistente pela manhã
a molhar os restos de
corpos mortos.
no quadro da vida
não há pessoas
não há ninguém.
no fim,
toco o quadro com os lábios e
deixo na pele vermelha
as cores de ti.
desco as escadas do pensamento
mergulho no absinto do dia
digo-te "até amanhã, talvez me encontres".
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
uso cores berrantes
com a força de um touro.
planto árvores de lilás
construo arranha-céus de amor.
no quadro da vida
as estradas são cinzentas,
o ambiente pesado do céu
nestes dias.
não há pessoas,
não há ninguém.
os carros são pássaros
águias ferozes com
bicos de agulha achatados.
roupas caídas no chão
pingos de chuva vermelha
um cão orfão.
gelo a morder relva
orvalho insistente pela manhã
a molhar os restos de
corpos mortos.
no quadro da vida
não há pessoas
não há ninguém.
no fim,
toco o quadro com os lábios e
deixo na pele vermelha
as cores de ti.
desco as escadas do pensamento
mergulho no absinto do dia
digo-te "até amanhã, talvez me encontres".
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
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POESIA POR MORRER
Soldados
soldados do pensamento
espingardas carregadas
botas prateadas
preto nas fardas
e sangue em mãos
a apertar o coração
peles escuras
sujidades do tempo
são soldados do pensamento
e a minha vida num tormento
não aguento, invento
onde nos encontramos:
na prisão do tempo
com os soldados do pensamento
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
espingardas carregadas
botas prateadas
preto nas fardas
e sangue em mãos
a apertar o coração
peles escuras
sujidades do tempo
são soldados do pensamento
e a minha vida num tormento
não aguento, invento
onde nos encontramos:
na prisão do tempo
com os soldados do pensamento
21 de Novembro 2007
Hugo Sousa
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POESIA POR MORRER
terça-feira, novembro 06, 2007
Vicio
vicio, vicio, vicio. pensar,
pensar em quê,
pensar não sei o quê nem porquê.
porquê? porquê? porquê o quê?
para quem?
para ninguém, ninguém.
sozinho, sempre sozinho.
sempre.
porquê? não sei, não sei o quê.
para quem?
ninguém.
sozinho, sempre sozinho.
05 Novembro 2007
Hugo Sousa
pensar em quê,
pensar não sei o quê nem porquê.
porquê? porquê? porquê o quê?
para quem?
para ninguém, ninguém.
sozinho, sempre sozinho.
sempre.
porquê? não sei, não sei o quê.
para quem?
ninguém.
sozinho, sempre sozinho.
05 Novembro 2007
Hugo Sousa
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POESIA POR MORRER
terça-feira, agosto 07, 2007
Ausência
quantos foram os que te tocaram e tu sorriste
quantos os que te sorriram e tu não fingiste
quantos os que te falaram e tu gostaste
quantos te fizeram sentir bem e tu amaste.
quantos os momentos que me esqueceste
quantos por todos os que conheceste
quantos dialogos aconteceram
quantos os que te marcaram.
quantas as vezes que te lembraste
quantas as vertigens de prazer
quantas lembranças desses dias
quantas que te fazem sentir ser.
já passou, já passei e fui
já não sou, já passou, acabou.
a vontade de ir, a dor no regresso
e eu já fui, já não sou.
Hugo Sousa
07 Agosto 2007
quantos os que te sorriram e tu não fingiste
quantos os que te falaram e tu gostaste
quantos te fizeram sentir bem e tu amaste.
quantos os momentos que me esqueceste
quantos por todos os que conheceste
quantos dialogos aconteceram
quantos os que te marcaram.
quantas as vezes que te lembraste
quantas as vertigens de prazer
quantas lembranças desses dias
quantas que te fazem sentir ser.
já passou, já passei e fui
já não sou, já passou, acabou.
a vontade de ir, a dor no regresso
e eu já fui, já não sou.
Hugo Sousa
07 Agosto 2007
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quarta-feira, abril 25, 2007
Anti-Religião
os que apelam à paz
são os mais aguerreados,
os que abolem a diferenciação social
são os mais afortunados.
anti-guerra, anti-riqueza:
anti-religião.
22 Abril 2007
Hugo Sousa
são os mais aguerreados,
os que abolem a diferenciação social
são os mais afortunados.
anti-guerra, anti-riqueza:
anti-religião.
22 Abril 2007
Hugo Sousa
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POESIA POR MORRER
sexta-feira, março 30, 2007
Uma Noite Sozinho
estendo-me nas areias dos corpos em decomposição
pelas fotografias a preto e branco que
não transpiram palavras e só recordações
o lume a desejar pedaços para queimar
os ossos transformam-se numa areia mais fina
e sobrevoam duas sufocações na garganta
com o respirar pernoitado dentro da ânsia
definha-se o silêncio nocturno do sono e
ergo-me de um chão vazio já sem os grânulos
de vidas que secavam ao sol no dia.
cresceu um deserto no caminho agora ao calhas escolhido
esta noite torna os passos sem fim
não consegue dissipar a sede de calar
e amenizar o grito solto metro a metro
...o lume não cessou e arde instantaneamente
dentro dos olhos com a prontidão de
me tornar numa planície dentro de uma cidade
em chamas na próxima noite
está a fragmentar-se uma madrugada
de vida que sussurra e reclama
mil sucatas com corações de ferro
30 Março 2007
Hugo Sousa
pelas fotografias a preto e branco que
não transpiram palavras e só recordações
o lume a desejar pedaços para queimar
os ossos transformam-se numa areia mais fina
e sobrevoam duas sufocações na garganta
com o respirar pernoitado dentro da ânsia
definha-se o silêncio nocturno do sono e
ergo-me de um chão vazio já sem os grânulos
de vidas que secavam ao sol no dia.
cresceu um deserto no caminho agora ao calhas escolhido
esta noite torna os passos sem fim
não consegue dissipar a sede de calar
e amenizar o grito solto metro a metro
...o lume não cessou e arde instantaneamente
dentro dos olhos com a prontidão de
me tornar numa planície dentro de uma cidade
em chamas na próxima noite
está a fragmentar-se uma madrugada
de vida que sussurra e reclama
mil sucatas com corações de ferro
30 Março 2007
Hugo Sousa
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