quinta-feira, novembro 22, 2007

Enterro

foi tal a vibração
que sentiste no enterro,
as lágrimas escorregavam
em nome do medo

"sobreviver" dizes tu
à imagem de quem sofre
caras escondidas no
entupimento do sentimento.

descansa sobressaltado
a cara pálida por enterrar
do corpo sai a chama e
o que ficou por falar.

vestimenta negra
engana quem a vê
nem na morte te deixam
ser quem és.

nascemos nús com
toda a naturalidade
na morte saimos vestidos
com esperança na eternidade.

as lágrimas escorregavam
em nome do medo
haverá tamanho amor
em outro qualquer enterro?

não pisamos relva
como nos cemitério americanos
o morto que descansa
contenta-se com ramos:
rosas, dalilas e malmequeres
na morte tanto faz.

apazigua a saudade e
dele não te faças esquecer
mordendo a lembrança
pensa como uma criança
antes de amares alguém.

as lágrimas escorregavam
em nome do medo
haverá tamanho amor
em outro qualquer enterro?

amar devagar
até que a morte nos separe.


22 de Novembro 2007
Hugo Sousa

3 comentários:

antítese disse...

desta nova "serie" este é o meu de eleiçao..pelo seu realismo e pela beleza morbida que nos envolve a todos..gostei do pormenor do luto como algo falso..artificial..nao sei se foi essa a ideia que quiseste dar..mas foi o que eu reti e gostei ;) continua poeta!

Luís disse...

"sobreviver" dizes tu
à imagem de quem sofre
caras escondidas no
entupimento do sentimento.

muito bom,
penso que a maior parte das vezes ficam sem duvida entupidos, inuteis.

esta la,
keep.

Laura disse...

gosto bastante, tem paralelismos muito ambiguos mas que se tornam concretos em toda a sequencia, quase arrepia.