sexta-feira, janeiro 11, 2008

Nossa Própria Agressão

incomoda-me estes dias infelizmente normais
acordar de noite e respirar o cortante ar frio das manhãs
mergulhar no fumo adormecido do mundo
pelo roncar do meu carro avisado

somos o centro da insignificante tristeza do mundo
ignorando a guerra e a fome de outros sítios
- pondo isso de lado - somos a vivida depressão
os culpados da nossa própria agressão

já no trânsito caótico seguro a testa com a mão
os dias correm sempre na mesma direcção
o elevador daquele edíficio espera-me ansioso
como se eu fosse alimento essêncial
ele já sem forças e eu sem humor:
tumor benigno, tumor

somos o centro da insignificante tristeza do mundo
os culpados desde há muitas gerações
vivemos numa forte e pesada depressão
a nossa própria agressão

dentro do escritório entrego-me à monotonia
sentado na cadeira como um prisioneiro de Alcatraz
soltam-se pensamentos sobre a vida
"não sou dono de mim até à hora de saida".


11 de Janeiro 2008
Hugo Sousa

2 comentários:

Inês disse...

nem ha palavras suficientes para as tuas próprias palavras... "Soberbo", foi o mínimo que encontrei...

"não sou dono de mim até à hora de saida". espantoso...

Laura Lee disse...

O abatimento fisico e moral fala por si. Cada um tem o caos que os apraz...isto tendo em conta que o caos funciona em circulos e espirais (oh xim conxerteza meu xenhor...) e nos faz viver...bem se é que isto é viver...nos filmes da decada de vinte viver era comer caviar beber champagne, dançar a chuva e quando se dá um beijo levanta-se o pé direito, etc etc tambem se ignorava a guerra mas ate parecia que trabalhar custava menos quando sofriam muito mais, olha nao nos queixemos de estar tão perto da catastrofe...assim sabemos que nao se levanta o pé quando se beija...etc etc


pronto...gosto.