sexta-feira, abril 27, 2007

A Minha Vontade, A Minha Percepção

as horas são número que me situam no tempo. o tempo é qualquer coisa que sinto passar. visões em excesso de velocidade no meu passeio mental, pensamentos embriagados conduzem no trafego por eles criados. borboletas pousadas na fronteira entre o olhar e a percepção, dão um colorido extravagante ao abismo. um arco-íris no abismo, que contradição - até no mundo só existe tal aglomerado colorido se houver chuva e sol em perfeita união -. uma contradição das contradições.
no momento preciso da verdade, vou sussurrar-te ao ouvido quantos foram os dias que devias ter chorado e aí, aí vais querer sufocar-me com um abraço. vais abraçar o ar. vais abraçar o ar que pode ser abraçado por todos porque eu, eu vou deixar-te sozinha e a chorar pelo que não fizeste na minha involuntária ausência. pelo que não fizeste nos dias que devias ter chorado.
resumidamente, é esta percepção que alcanço quando qualquer coisa olho e te recordo. se há coisas valiosas nos sentimentos, adormeço todas as noites com a esperança que guardes um tesouro. vivo todos os dias à espera que eu tenha sido um diamante para que me dês valor. se guardares um tesouro.


Hugo Sousa
27 Abril 2007

3 comentários:

Anónimo disse...

lindo!

eu

Laura disse...

embriagaste-te de palavras, bonito trabalho, é coerente, é como o grito das bacantes.

Bruno disse...

Pode-e dizer que és melhor na prosa que na poesia -)